𝒐 𝒅𝒊𝒍𝒆𝒎𝒂 𝒅𝒂 𝒎𝒆𝒍𝒉𝒐𝒓 𝒂𝒎𝒊𝒈𝒂 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒆𝒊𝒕𝒂
não, esse não é um texto informativo onde você vai encontrar “5 dicas infalíveis de como não se sentir inútil perto da sua amiga perfeita”, até porque eu nem sei a resposta. isso aqui tá mais pra um desabafo, mesmo que eu tema que o eu lírico não deveria se expor tanto assim. mas fazer oque?
de vez em quando a gente sente, e sentir demais é um problema que eu carrego no bolso como quem carrega bala: parece inofensivo, mas pesa. eu só queria entender por que, mesmo cercada de amor, eu ainda me comparo, ainda me diminuo, ainda me sinto a figurante da vida de alguém que eu amo. talvez porque ela brilha. talvez porque eu esqueço que também brilho, mesmo que de um jeito mais tímido, mais silencioso e mais insignificante do que o dela
e às vezes, no silêncio depois de uma conversa, ou no caminho de volta pra casa, eu fico repassando cada palavra dita. fico tentando lembrar se fui boa o bastante, divertida o bastante, bonita o bastante, inteligente o bastante. e quando lembro que ela é tudo isso sem esforço, me dá uma dorzinha estranha no peito. não é inveja, juro que não. é mais um sentimento confuso de inadequação. tipo quando você tá numa festa e parece que todo mundo conhece a letra da música menos você.
melhor dizendo, não é nem uma sensação de inadequação. é mais tipo: “oi? alguém aí tá me ouvindo?”. porque, assim… na minha cabeça eu sou legal. de verdade. acho que tenho minhas qualidades, faço os outros rirem às vezes, me interesso pelas pessoas, sou boa amiga. então por que parece que todo mundo só nota ela?
tipo, a gente entra em um lugar e pronto, é automático: os olhares vão pra ela. as perguntas são pra ela. os elogios, os convites, os garotos, os abraços demorados. e eu? fico meio do lado, meio rindo também, tentando participar, tentando não parecer deslocada. tentando não parecer desesperada por atenção, sabe?
e o mais louco é que eu gosto dela. gosto muito. não tô competindo. mas parece que, perto dela, eu viro transparente. como se eu só brilhasse quando ela tá longe — e olha que nem é por mal. ela nem faz esforço. ela só existe. e isso já é o suficiente pra todo mundo querer estar por perto.
será que eu sou menos interessante do que eu imaginava? será que eu me inventei demais na minha cabeça? ou será que só tô rodeada de pessoas que não olham direito pra mim?
não sei. só sei que tem dias em que dá vontade de ir embora no meio da conversa. ou de parar de tentar ser vista e aceitar que talvez minha vibe seja mais de bastidor mesmo. só que dói. porque ninguém gosta de se sentir coadjuvante na própria história.
será que ela percebe que eu me sinto assim?


cara... me identifiquei mais do que desejaria admitir
Já passei por algo assim, é doloroso mas a gente só consegue se sentir tão visto e amado quando passa a se amar e ter autoconfiança, é um clichê muito real. Quando você conseguir sair dessa posição de se sentir inferior vai ver que você brilha tanto quanto, é um processo longo e que você vai passando aos pouquinhos não importa quantas pessoas te falem o mesmo que estou falando, no final tudo vai dar certo 🥰