𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐦𝐞𝐧𝐨𝐬 𝐞𝐮
“Minha adolescência parece uma gaveta vazia.”
Hoje vai ter uma resenha numa casa de praia. Todas as minhas amigas vão. Aquela galera que posta foto rindo sem motivo, que dança coisas duvidosas e que canta desafinado na cozinha com um copo na mão.
Já tô até vendo os stories: pôr do sol tremido, alguém pulando na piscina, vídeo com a legenda “meu rolê favorito com as pessoas certas”.
E eu?
Eu vou ficar em casa.
De novo.
Porque meus pais disseram não.
De novo.
Dizem que adolescência é pra viver coisa errada, experimentar, testar os limites.Mas e quando você cresce com os limites tatuados no corpo antes mesmo de entender o que é liberdade? Quando cada pedido de “posso ir?” já vem carregado de medo da resposta?
Quando viver depende da boa vontade de alguém que acha que te conhece melhor do que você mesma?
Meus pais acham que o mundo lá fora é uma ameaça constante. Eles falam com a convicção de quem acredita que estão me protegendo — e talvez até estejam.
Mas o que eles chamam de proteção, eu só consigo chamar de prisão confortável. Bonitinha por fora, cheia de grades por dentro.
É difícil explicar o que é ter FOMO quando você nem chega a ser convidada. Porque depois de ouvir “não” tantas vezes, as pessoas simplesmente param de chamar.
Não é pessoal, é prático. Você vira a amiga que nunca pode, a filha exemplar, a certinha.
E no fundo, você até entende. Mas também dói.
Minhas amigas vão voltar com histórias. De conversa boa, de gente nova, de alguma música que vai virar lembrança. Eu vou voltar pra escola com o mesmo silêncio de sempre. Com a sensação de que tô vivendo uma adolescência que vai passar — sem deixar memória nenhuma.
Tem horas em que o FOMO nem é mais um medo.
É rotina.
É saber que a vida acontece lá fora e você não faz parte.
É colecionar desculpas, enquanto os outros colecionam momentos.
E o pior é que eu nem quero nada absurdo. Não quero sumir por dias, nem quebrar regra só por rebeldia. Eu só queria o direito de existir fora do roteiro. De ter uma noite com gente rindo, de não precisar inventar que “tava cansada mesmo” só pra não parecer que fui deixada de lado pela vida.
A verdade é que ninguém me deixou de lado. Me proibiram de estar.
Então hoje, enquanto a música toca na casa da praia e a vida acontece sem mim, eu fico aqui, com o celular na mão e um nó na garganta.
Tentando entender como é que a gente sente tanta falta de algo que nem viveu.


férias chegando eu sempre fico ansiosa por isso
Quantos anos você tem?